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HIPERTIREOIDISMO FELINO

O hipertireoidismo é uma doença de caráter crônico, onde observamos uma produção e secreção exagerada dos hormônios T4 (tiroxina) e T3 (tri-iodotiroxina) pela glândula tireoide alterada.


O hipertireoidismo é uma das doenças hormonais mais observadas em felinos domésticos, e em contrapartida é uma enfermidade incomum em cães. Essa doença há uns anos atrás era considerada uma doença esperada em gatos idosos (a partir dos 12 anos de idade), mas estudos atuais já mostram o hipertireoidismo sendo
diagnosticado em gatos a partir de 7 anos de idade.
Não existe predisposição racial, nem sexual para a ocorrência desta doença, ou seja, gatos de qualquer raça podem apresentar a doença sendo ele macho ou fêmea. O que sabemos é que gatos que se alimentam exclusivamente de dietas úmidas enlatadas, podem apresentar uma predisposição maior a desenvolver o hipertireoidismo.
E por que isso acontece? Qualquer produto enlatado, seja ele de consumo humano ou animal, possui uma película plástica que envolve internamente a lata para conservar melhor aquele alimento, que também tem como função impedir o contato direto do alimento com o alumínio da lata. Essa película plástica é composta de Bisfenol A.

O Bisfenol A é uma molécula muito parecida estruturalmente com os hormônios tireoidianos, e essas moléculas inevitavelmente podem migrar pro alimento. E por serem muito parecidas com os hormônios tireoidianos acabam por sua vez se ligando aos receptores de T3 e T4, mas não executam as funções essenciais desses hormônios para o
organismo como um todo.
O organismo, inteligente por natureza, então entende que como os hormônios tireoidianos não estão conseguindo desempenhar seu papel fisiológico, estimulam mais ainda a sua produção e secreção, e com isso temos uma “chuva” de hormônios T3 e T4 circulantes, nos levando ao excesso.


O consumo de alimentos comerciais (rações) de baixa qualidade também podem contribuir para a ocorrência do hipertireoidismo em gatos. Isso acontece por que não existe uma quantidade preconizada de iodo nas dietas
comerciais para gatos, e em consequência dessa falta de preconização a quantidade de iodo presente nestas dietas podem chegar a 10 vezes mais do que os níveis recomendados para essa espécie, o que obviamente pode contribuir para o desenvolvimento de doença na tireoide.


Os sintomas mais clássicos do hipertireoidismo felino são: emagrecimento, taquicardia, hipertensão, excitação (hiperatividade), apetite exagerado, ingestão de água excessiva, grandes volumes de urina, diarreia, fraqueza muscular, pêlos de baixa qualidade e até mesmo agressividade.


Nos gatos é super importante durante o exame físico realizado na consulta, palpar as glândulas tireoide, e qualquer sinal de alteração à palpação, o exame hormonal específico deve ser solicitado e realizado o quanto antes.
O diagnóstico é relativamente simples e é baseado nos sintomas presentes e na dosagem de T4 total.
Existem três opções de tratamento atualmente.


Existe o tratamento medicamentoso, onde usamos a droga metimazol, a radioterapia (que nos dias de hoje, temos disponível em São Paulo) e o tratamento cirúrgico.


O tratamento medicamentoso nos permite controlar a doença, mas não promove cura, enquanto com a radioterapia ou com o tratamento cirúrgico nos permite obter a cura para o hipertireoidismo em gato.
O tratamento cirúrgico consiste na tireoidectomia (retirada cirúrgica da(s) glândulas tireoides doentes).
Essa não é a primeira escolha de tratamento nos dias de hoje por conta das complicações
pós operatórias que podem acontecer. Quando o animal responde bem ao tratamento escolhido, o prognóstico tende a ser favorável, mas deve ser levado em consideração a existência ou não de outras doenças
acontecendo no organismo naquele momento.


Vale lembrar que a partir dos 7 anos de idade, a dosagem do hormônio T4 deve fazer parte dos exames semestrais/anuais de rotina desse felino, pois o quanto antes a doença for diagnosticada, maiores as chances de sucesso no controle da doença.


E pra finalizar, lembre-se que esta é uma doença crônica, e toda doença crônica requer monitoramentos periódicos e para a vida toda.

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